Páginas

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Nem imaginas como eu Gostava que me visses há uns tempos atrás. Que sentisses o bater do meu coração, ele batia por ti. Que ao tocar no meu corpo, sentisses o sangue a correr ofegantemente, ele corria por ti. Que ao olhares para mim eu congelasse, congelava por ti. Queria apenas que visses, a maneira como fazia as coisas. Como andava, como sorria. Era tudo por ti. Como suspirava, como parava no tempo a imaginar-te, como de repente soltava uma gargalhada porque me lembrava de ti. Queria apenas que visses, como eu era e como sou. O que tu me fizeste. O quanto tu me conseguis-te mudar. O quanto eu sofro por ti, e o quanto te começo a odiar. Gostava que sentisses o quanto me custa viver por ti. Gostava que sentisses remorsos. Gestos frágeis, locuções precipitadas, sorrisos adulterados, atitudes infantis, e prolonga-se a infindável lista. Eu mesmo farta de tudo que andas a fazer, estou farta da pessoa que te tornaste, farta de tudo o que te envolva. Talvez um dia me irás dar o devido valor, e aí vai ser tarde demais, porque quem sofre agora sou eu, e não tu, quem chora agora, sou eu e não tu. Tu não vales nada. É tortura. Mas iniciei muita coisa a partir de ti. O ser perfeito extinguiu-se.
E continuo a achar que não valeu a pena. E se hoje, estou num beco sem saída a culpa é nossa. Tua porque me fizeste acreditar que eras perfeito e me darias tudo aquilo que eu precisava e minha porque deixei tudo o que, realmente, me fazia feliz para estar contigo, que me matavas a cada dia que passava. E agora, apenas sinto dor, dor silenciosa, a mais dolorosa, a mais pavorosa. Não se demonstro, não se repara apenas eu sinto. Por fim, desisto, desisto de sofrer, desisto de ter o coração partido, desisto de assistir o meu coração a desfalecer juntamente com o meu sorriso. Não me posso deixar vencer pela necessidade, a necessidade de voltar atrás no tempo e dizer «sim» mais rápida que um relâmpago, a necessidade de ter a tua mão a segurar a minha, a necessidade da tua voz sincronizada com a minha, a necessidade de respirar o teu ar. A necessidade de te abraçar, de te ver. A necessidade de te ter.

Eu tive-te e tu tiveste-me, foram momentos viciantes, mas acabaram por acabar.